metade de um ano de um afeto inteiro. caneta unipin e aquarela sobre offset.

metade de um ano de um afeto inteiro. caneta unipin e aquarela sobre offset.

o que cabe dentro da gente. aquarela sobre montval.

o que cabe dentro da gente. aquarela sobre montval.

tentativa frustrada de auto-retrato. lápis de cor sobre offset. 

tentativa frustrada de auto-retrato. lápis de cor sobre offset. 

dos carinhos sem fim e vitalícios. andré cyrino. aquarela sobre canson.

dos carinhos sem fim e vitalícios. andré cyrino. aquarela sobre canson.

Andava cheia de cores, a espanar uma felicidade inflamada, quase palpável, mas guardava para si um abismo inteiro de saudade clandestina.

Andava cheia de cores, a espanar uma felicidade inflamada, quase palpável, mas guardava para si um abismo inteiro de saudade clandestina.

sobre o fim do amor e os vestígios virtuais

Deixaram tanto que a vida acostumasse a seguir em par que terminam o namoro; por vezes, excluem-se e bloqueiam-se mutuamente em seus perfis de redes sociais; choram suas pitangas online e publicamente; deixam passar o tempo; mas ainda, depois de meses, aparecem juntos na timeline dos amigos em comum, compartilhando links semelhantes e dizendo quase as mesmas coisas. É quando a internet faz a gente ver que, mesmo de longe, ainda pensam juntos.

Os cérebros demoram a se acostumar com o que os corações, ainda que partidos, entendem tão logo os corpos se afastam. Há os que decidem, num intento de civilidade, permanecer amigos e ficam vendo o vai-e-vem dos ex-amores, acompanhando suas vidas (ou o simulacro delas). Não raramente perfazem sessões de tortura, horas a fio, efes-cincos em loop, para não perder os detalhes daquilo que continua sem a sua presença, numa tentativa frustrada de suprir as lacunas de rotina do outro que ficam em si. 

Há os menos fortes, e talvez mais sensatos, que, não obstante o fim de amor, mudam as configurações de privacidade da rede social e privam o ex de suas existências internéticas. Ao se bloquearem, todos os vestígios um do outro, em sua vida virtual, se apagam, como se assim, numa imitação de Clementine, tudo entrasse nos eixos, se ajustasse, voltasse a uma normalidade pré-ex. Estranhamente, viram, um para o outro, fantasmas que quase se tocam, por vezes convivem em um mesmo cômodo e, inclusive, devem sentir os seus cheiros, ainda que virtualmente.

Resta, a quem os têm como amigos, assistir ao desenrolar de uma novela, por vezes incômoda, e aguardar o reencontro, ou não.


Para a pequena que vai colorir a terra da garoa com as matizes sortidas da sua escrita. Aqui vai um tantinho das minhas cores.
Para Bia, com Amor.

Para a pequena que vai colorir a terra da garoa com as matizes sortidas da sua escrita. Aqui vai um tantinho das minhas cores.

Para Bia, com Amor.

transgênico

Tenta se desvencilhar devagarinho. Todo dia bebe uma gota de veneno, pra matar aos poucos, sem alarde. Não é que não ame, ama, ama desmedidamente e se dá feito fosse sol em mês derradeiro.

Mas é que a moça sabe que não adianta mais acreditar na insolubilidade dos laços. Uma hora, o amor acha um solvente e deságua, desanda, se vai. Não é que ela não amanheça, às vezes, com o peito tão cheio que até demora pra abrir os olhos, pra recuperar o fôlego. Fica ali, de olhos cerrados, fazendo uma prece: “por favor, seja diferente, só dessa vez não se acabe, não se acabe, não se acabe.”

Antes do fim do dia, a moça já sabe que não adianta rogar. Por isso, mata. Mas só um pouquinho de cada vez, pra não doer tanto, nem agora, nem quando, enfim, findar. Porque cortar sentimento de uma vez só destrói mais que o amor, destrói um pedaço inteiro da gente. E a moça já anda sem alguns pedaços nessa vida. 

A moça, coitada, calejou-se, e descrê de tudo que é grande demais, que pulsa demais, que lhe deixa assim, inflamada. Por mais que ela viva querendo que o amor tatue um “para sempre” em seu peito - por mais que seja um daqueles quereres que a gente quer com tanta força que, por vezes, se confunde a gente e o querer, sem saber onde começa um, onde finda o outro - a menina bem sabe que é imprudente amar assim com tanta força.

E ela vive a ilusão de uma morte homeopática, sem saber que o veneno transmutou seu sangue. Agora, a moça carrega no peito um coração-lagarto.


porque sempre acontecem lindezas quando a gente encontra o mar


caneta naquim + maquiagem + aquarela + edição ps

porque sempre acontecem lindezas quando a gente encontra o mar

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para o meu rafa

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